terça-feira, dezembro 06, 2005

A VIAGEM DE UM LOUCO II de X

Foi simples viver assim. Entre duas mantas, num humilde abrigo de caniços e juncos. Sem qualquer espécie de mobiliário, sem televisões, sem famílias, sem...
Invadem-lhe o corpo, coagulam nele, lambem-no por dentro. Propaga-se um canto quase inaudível e um estremecimento. Amachuca a folha de papel nos dentes. Enfiando-a nas algibeiras e possui esse alguém que não chegou, ainda mal acordada no fundo da sua memoria. Mete-lhe as mãos sujas de literatura fácil e barata, vira-a mordendo-a na nuca até não sentir em si absolutamente mais nada.
Escreveu sobre este assunto até ao vómito, estendido na espuma das ondas, cobertas de algas, que lhe batiam na cama. Gaivotas espavoridas cagavam-lhe em cima, tentando desesperadamente sair daquela praia de paredes brancas.

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